Espanha Bierzo – Um dos meus preferidos

bierzo

Bierzo fica ao lado da Galícia no noroeste espanhol. Região que ainda recebe os ventos frios do Atlântico que somado a altura dos vinhedos, entre 500 e 1000 metros,  nos trazem uma lenta maturação da uva e vinhos tintos de médio corpo muita elegância feitos com a uva Mencía. Já os brancos são, também, de exceção, minerais e de acidez refrescantes, em especial, os elaborados com a branca Godello.

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EVITE A GLOBALIZAÇÃO DOS VINHOS

A Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Syrah entre outras tidas como uvas internacionais, não é a toa que assim são. Adaptabilidade, produtividade e qualidade fazem a fama destas castas. Não há loja e supermercado no mundo que não esteja repleto de vinhos destas uvas.

O problema não é este, mas sim aqueles que não se desapegam destas castas e, por conseqüência, acabam tendo uma visão limitada do mundo do vinho.

Algo como esta foto, quem está no conforto dos vinhos já conhecidos tem uma visão parcial do vinhedo que está lá fora. E não há outra maneira de conhecer o mundo do vinho, senão experimentá-los.

Neste sentido gostaria de avisar sobre algumas uvas que considero únicas e especiais.

Na Argentina, mais precisamente no norte, em Salta, vale de Calchaquí, é o berço da Torrontés, uva branca, originária da Galícia, certamente veio na mala de algum imigrante. Nesta região da Argentina produz um vinho aromático, com matizes que vão do floral ao frutado, na boca o prazer é marcante.

Portugal, com mais de 300 uvas indígenas, catalogadas e produzindo vinhos é um paraíso para os amantes do vinho. Para não perder o norte deste post, indico duas amadas uvas. A Baga, da Bairrada, manhosa e temperamental. Com altos índices de tanino, assim como a Tannat, precisa ser elaborada por mãos experientes para que seus taninos sejam domados. Ao final, temos um vinho volumoso, forte, de cor escura. Nariz de frutos secos como ameixa, na boca volume, força e certa adstringência, inesquecível, ainda mais se apreciado com um leitão assado. Nas brancas fico com a Encruzado, bela uva do Dão, produz vinhos delicados, aromáticos com mineralidade. Nos bons exemplares nada deve aos bons Chardonnay da Borgonha.

Na Espanha temos a Mencia, que em Portugal também é chamada de Jaen. Bierzo, noroeste,  é o seu palco, seus vinhos são picantes, acidez marcante, uma certa dureza que logo nos encanta, vinhos para serem consumidos jovens. Nas brancas temos a Macabeo, chamada de Viura em Rioja. Terra de grandes tintos, mas produz um branco de elite com esta uva. Vinho elegante, acidez no ponto, aromas de frutas de polpa branca, uma delícia.

França, lembrei logo da Pinot Gris, Excelência em brancos, originária da Alsácia, França, uva de casca avermelhada mas produz brancos da elite mundial. Possui homônimas espalhadas por vários países, na Iália, Pinot Grigi e  na Alemenha Grauburgunder, entre outros. Mas é na Alsácia que esta casta alcança seu apogeu. Ali em quantidades liliputianas gera um vinho mágico, inebriante e inesquecível. Cor amarelo quase âmbar, nariz flores, frutos de polpa branca, alguma especiaria como canela e zimbro. Na taça untuoso, lágrimas densas e constantes, na boca acidez e doçura no ponto certo.

A Itália entra com a Aglianico e a Fiano, as duas da Campania. A tinta Aglianico é responsável por vinhos de grande longevidade, algo para serem bebidos depois de 10 anos de garrafa. Vinho forte, cor escura, aromas de especiarias, noz moscada e tostado, na boca grandeza total, encorpado um grande vinho. A Fiano é a branca, vinho de acidez forte, mineral e aromática, especial vinho para acompanhar frutos do mar.

Portanto, não vamos nos deixar dominar pela hegemonia das chamadas uvas internacionais. Arrisque, invista e experimente novos vinhos, assim aumentas teu conhecimento, porque vinho é cultura.

Experimente vinhos diferentes como Jerez de La Frontera, um Madeira, um Ice Wine, roses maravilhosos ou brancos especiais para cada ocasião.

E não esqueça, quem segue sempre na mesma estrada chega nos mesmos lugares.

Einestein dizia a insanidade é fazer sempre a mesma coisa e querer resultados diferentes.