UM GIRO PELA ITÁLIA – PUGLIA BERÇO DA ZINFANDEL

Após admirar esta oliveira centenária com raízes fincadas neste solo e ainda produzindo azeitonas de qualidade a atenção do alemdovinho volta-se para a Primitivo, uva nativa da Puglia.

A Puglia é o que se chama de calcanhar do mapa da Itália. Região banhada pelo Mar Jônico e pelo Adriático. Em termos históricos nada a diferencia de seus irmão do sul com suas mazelas advindas da pobreza e atraso industrial. Viveu e ainda vive do turismo. Seu longo e belo litoral está entre os mais lindos da Itália.

Em termos de vinho até algumas décadas atrás não escapou de produzir enormes quantidades d vinho de baixa qualidade para ser, em grande parte, vendidos para o norte do país.

Hoje os países produtores de vinho do chamado velho mundo, como meio a escapar da ditadura dos varietais, leia-se, vinhos do novo mundo elaborados em escala petrolífica contendo as castas tradicionais, Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, iniciaram um louvável caminho de redescoberta e suas origens e suas uvas nativas.

Aí países como Itália, França e principalmente Portugal são imbatíveis. Só para se ter uma ideia, Portugal possui, das uvas catalogadas, estas em mais de 500 variedades, pelo menos uma centena de castas nativas em utilização vínica.

Novos produtores ao invés de saírem de sua terra ou produzirem vinhos em quantidade e qualidade discutível resolveram trabalhar suas uvas de uma maneira moderna com tecnologia de ponta.

Resultado? Vinhos excelentes, com uma tipicidade única. Por tipicidade entendo aquele vinho ou culinária que forma a base cultural de uma região e parece que só lá alcança a plenitude. Exemplo? Uma feijoada nos restaurantes do Rio de Janeiro, um bom mate amargo, no frio e interior do Rio Grande do Sul, um pãozinho numa padaria de São Paulo e por aí vai.

Pois bem a Puglia além das oliveiras centenária, vejam a foto e seu belíssimo mar nos traz a Primitivo.

Também conhecida nos Estados Unidos como a Zinfandel, que aliás os americanos a tem como casta ícone e insistem em dizer que ela nasceu lá.

Na verdade é um uva antiga na região da Puglia que após a silenciosa revolução no plantio e técnicas de produção nos trazem vinhos muito bons.

A mais representativa Primtivo vem da Manduria, região ao sul da Puglia e a a 10 quilômetros do Mar Jônio. A Primitivo di Manduria é um vinho de corpo médio a denso, de cor escura e acidez média/alta, o que se traduz em vinhos de boa longevidade e bastante companheiros para a variada gastronomia local.

Eu gosto muito dos vinhos desta casta,principalmente pelo preço, sensivelmente mais baratos que seus afamados irmãos do norte. Realmente recomendo que se  experimente vinhos com esta casta, além de muito bons têm uma tipicidade bastante forte, eis que afora os Estados Unidos, desconheço outro país produtor de vinhos que utiliza esta casta.

Não sem esquecer da Negroamaro, uma casta tinta típica da Puglia que produz vinhos bastante rústicos, mas hoje bem trabalhada em em corte com a Malvasia Negra produz vinhos bem fortes e encorpados, mas ideais para os pratos a base de carne.

E num mundo tão globalizado um vinho com uma casta diferente sempre é sempre bem-vindo.

A música não ajuda muito mas as imagens da Puglia são belas.